Vendas no e-commerce devem crescer 36% neste ano
SÃO PAULO – As vendas pela internet deve crescer 36% em relação a 2010. Para 2012, a estimativa é de que o volume de vendas seja 25% maior que em 2011. Em média, o consumidor brasileiro gasta R$ 350 em compras pela internet, um dos maiores valores do mundo.
De acordo com a Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), o Brasil conta hoje com 80 milhões de usuários de internet, ou seja, 40% da população. Do total de internautas, 27 milhões são consumidores virtuais.
Em 2011, espera-se que o número de consumidores virtuais chegue a 32 milhões de consumidores, o dobro do registrado em 2009. De acordo com a Fecomercio, somente neste segundo semestre, serão cinco milhões de novos consumidores no e-commerce brasileiro. “Ainda há um espaço muito grande para crescer, com grande potencial para os próximos anos”, afirma o presidente do Conselho de Tecnologia da Informação para assuntos de E-commerce da Fecomercio, Pedro Guasti.
Ele ainda explica que o mercado é promissor. “O mercado cresce cada vez mais, é promissor, mas sofre um entrave gigantesco, a tributação”, explica.
Natal
De acordo com a Federação, pelo fato dos brasileiros estarem acostumados a deixar tudo para a última hora, muitos consumidores passam o Natal sem presentes. Essa experiência negativa ficou bastante evidente no último Natal.
Para evitar ficar sem presente, Guasti recomenda que as compras eletrônicas para o período sejam feitas, no máximo, até a segunda semana de dezembro, garantindo tempo suficiente para entrega. “Vamos ter que aumentar o prazo para entrega no Nordeste, por causa do caos aéreo esperado para o final do ano”, completa o diretor-presidente da Total Express, Marcos Queiroz Monteiro.
Cenário
Segundo a Fecommercio, as empresas que utilizam a internet como canal de vendas enfrentam ainda a barreira dos tributos. Desde 1º de abril, o Protocolo 21 do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária, assinado por 18 estados, acrescenta entre 7% e 12% de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incidente sobre o valor final do produto que tenha sido vendido por meios não presenciais, como a internet. A variação de valor depende do estado de origem do produto. “Apesar de todas as decisões do Confaz requererem unanimidade para valer, esse Protocolo é válido inclusive para estados que não o assinaram”, afirma o advogado especialista em direito tributário, Argos Gregório, acrescentando que “o protocolo é absolutamente ilegal e inconstitucional”.
Segundo Gregório, é cada vez maior o número de liminares concedidas contra esse adicional de ICMS. “O próprio governo cria dificuldades e sabota o setor de e-commerce.”, explica.
Para barrar o problema, a CNC (Confederação Nacional do Comércio), ingressou, a pedido da Fecomercio-SP, com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) no STF (Supremo Tribunal Federal) para derrubar a decisão do Confaz.
Segundo Monteiro, as entregas realizadas por sua empresa para os estados do Nordeste e Norte, onde está a maior parte dos signatários do Protocolo 21, é acompanhada por liminares obtidas por seus clientes. “Esses gastos a mais quebram as empresas”, acrescenta Guasti.
Segundo o presidente da Vendaspontocom, Daniel Pellegrini, muitos dos clientes dele aumentaram o prazo de entrega para a região Norte e Nordeste por causa das dificuldades nas fronteiras dos estados.
Logística
De acordo com o diretor-executivo da Luft Solutions, Cristiano Baran, a infraestrutura logística do País está saturada para atender as demandas de crescimento. Segundo ele, o canal de e-commerce sente este impacto mais fortemente nos prazos e custos. “O processo de entrega de um produto, no prazo, na casa do consumidor é muito complexo”, completa Guasti.
Segundo Baran, os consumidores sofrem com os problemas logísticos. “O foco só nas vendas em detrimento dos processos logísticos causa um grande impacto na satisfação dos consumidores”, explica.
Segundo o diretor de E-commerce do Walmart Brasil, Flávio Dias, muitas empresas não se prepararam para grandes movimentos de entrega, especialmente no Natal. Para ele, é melhor aumentar o prazo de entrega e perder algumas vendas do que prometer prazos pequenos e ganhar um cliente insatisfeito, que fará propaganda negativa da empresa.
Dias aproveita para explicar que o modelo de serviço oferecido ao consumidor brasileiro é um desafio. “É necessária uma estratificação nos prazos de entrega para que as estruturas não emperrem”, reforça, acrescentando que “estratificar me permite trabalhar melhor o fluxo de entregas.”
A sugestão dos especialistas no encontro é de que os varejistas virtuais se inspirem no modelo norte-americano, no qual há diferentes prazos de entrega e se o consumidor precisa de sua compra com maior rapidez, ele paga por isso, contratando um serviço “premium”.
FONTE: http://www.infomoney.com.br/

